Conheça o Patrimônio Histórico de Santa Maria

Muitos dos quase 220 anos de história de Santa Maria podem ser vistos e conhecidos numa simples caminhada pela região central da cidade. É por lá que estão alguns dos marcos mais conhecidos, mas o Patrimônio Histórico de Santa Maria vai além de simples marcos, são partes vivas da história. Listamos alguns dos principais para você conhecer em sua visita à cidade.

Patrimônio Histórico de Santa Maria

O acervo mais famoso do patrimônio histórico de Santa Maria

Mancha Ferroviária de Santa Maria

A chamada Mancha Ferroviária não está ligada aos primórdios da cidade, mas sim ao ponto-chave de seu crescimento, fortalecimento e reputação nacional: foram pelas linhas de um dos mais importantes entroncamentos ferroviários do Brasil que Santa Maria se desenvolveu.

  • Gare da Estação — formada pela Gare da Estação, Vila Belga, a Escola Manoel Ribas e construções adjacentes, a mancha foi elevada em 2014 a patrimônio nacional histórico. Inaugurada em 1885 pela Estrada de Ferro Porto Alegre-Uruguaiana, foi durante muitos anos o centro econômico santa-mariense, até a degradação da malha ferroviária brasileira nos anos 70 e 80.
  • Vila Belga — a estação ferroviária foi logo sucedida pela construção da Vila Belga, que recebeu esse nome devido à origem dos operários da empresa ferroviária responsável por administrar o trecho: a Compagnie Auxiliaire de Chemins de Fer au Brésil, da Bélgica.
  • Colégio Manoel Ribas — A escola que ficou conhecida como “Maneco”, patrimônio histórico do Rio Grande do Sul, ostenta até hoje a fama de maior colégio da cidade em número de alunos. Com influência arquitetônica renascentista, a instituição conta com alunos famosos em suas fileiras, entre eles, o ex-governador gaúcho Tarso Genro.

Banco Nacional do Comércio

Primeira unidade bancária de Santa Maria, fundada em 1918 e localizada entre o Calçadão Salvador Isaia e a Praça Saldanha Marinho, na região central. A edificação foi erguida para sediar o Banmércio (Banco Nacional do Comércio), que havia chegado à cidade oito anos antes.

A conservação do projeto original, assinado pelo arquiteto alemão Theodor Wiederspahn, se mantém apenas na fachada, pois a Caixa Econômica Federal arrendou o prédio e em 1986 realizou modificações na parte interna, onde hoje funciona uma agência da Caixa.

Theatro Treze de Maio

Inaugurado em 1890 e localizado na atual Praça Saldanha Marinho, o Theatro Treze de Maio é o principal espaço cultural de Santa Maria e um dos mais tradicionais do Rio Grande do Sul. Sua estrutura de traços neoclássicos foi projetada por Carlos Boldrin e teve um custo estimado de 20 contos de réis, na época.

O prédio passou por reformas há pouco mais de 20 anos e foi reinaugurado em 1995. Foi tombado a nível municipal como patrimônio histórico de Santa Maria em 2014.

Cine Independência

Localizado ao lado do Theatro Treze de Maio, o prédio foi construído no final da década de 1920 para abrigar o antigo Cine Independência, outro importante centro cultural da cidade, junto ao Cine Imperial, onde atualmente funciona a Eny Calçados (o prédio também conta com fachada original conservada).

Na época de cinema, tinha mais de 500 lugares e, além dos principais filmes do circuito mundial, também servia como espaço para eventos, função que teve até o final da década de 1980. Depois, foi alugado para uma igreja neopentecostal até 2003.

Dois anos depois, passou por uma reforma completa feita pela Prefeitura, que manteve sua fachada em art decó. As obras no prédio serviram para abrigar o Shopping Popular, para abrigar os camelôs que ficaram sem espaço com as reformas da Avenida Rio Branco.

Avenida Rio Branco

Um verdadeiro acervo de exemplares arquitetônicos da art decó, a Avenida Rio Branco é a principal via do centro de Santa Maria, cujos principais exemplares são o Edifício Cauduro e o Edifício Mauá. É também uma das mais antigas, cujos registros indicam que já em 1819 era um ponto de passagem da cidade.

Passou por muitos pontos altos, quando era ponto de encontro, depois caiu no esquecimento, fruto de abandono e degradação, se tornou um centro de comércio popular, mas passou por uma grande reforma concluída em 2012, que devolveu à Rio Branco seu brilho original.

  • Catedral Diocesana — A Catedral Diocesana Nossa Senhora da Conceição foi inaugurada em 1909, mas ganhou suas belas características atuais em 1935, quando foi pintada e reformada pelo artista italiano Aldo Locatelli. A construção religiosa foi recuperada completamente em 2005 e é uma igreja marcante para a vida de Santa Maria.
  • Sociedade União dos Caixeiros Viajantes — Inaugurado em 1926, o prédio era um ponto de encontro dos caixeiros e passou por diversas transformações em seu uso, sem nunca perder o encanto original. Abrigou uma filial das Lojas Eny, uma agência do Banrisul (Banco do Estado do Rio Grande do Sul) e atualmente abriga o Gabinete da Prefeitura de Santa Maria.
  • Edifício Hugo Taylor — Mais um fruto da presença ferroviária na cidade, o edifício foi construído para abrigar a Escola de Artes e Ofícios Hugo Taylor, fundada em 1913 para oferecer educação técnica aos filhos dos funcionários da ferrovia. O Hugo Taylor foi inaugurado apenas em 1922 e teve como célebre aluno o artista plástico Iberê Camargo. Foi desativado 64 anos depois, retornando à vida após ser restaurado e adaptado para abrigar o hipermercado Carrefour.
  • Igreja Anglicana do Brasil — Considerado o berço da Igreja Episcopal no Brasil, a igreja de confissão Anglicana foi construída com o estilo neogótico característico do Velho Mundo. Foi inaugurada em 1904 e conta com serviços religiosos até hoje, sendo um marco do protestantismo brasileiro.

Câmara Municipal de Vereadores de Santa Maria

Com mais de 110 anos, o prédio da Câmara Municipal foi projetado pelo italiano Cesare Dacorso e também preza pelo estilo neogótico. Já abrigou os gabinetes da Prefeitura de Santa Maria em conjunto ao Legislativo. Com a mudança da administração municipal para outros prédios, tornou-se de uso exclusivo da Câmara.

Há um projeto para remanejar também o legislativo para um novo prédio também na Rua Vale Machado (região central), ao lado do edifício atual, mas encontra-se paralisado atualmente.

Sinagoga Itzhak Rabin

Considerada berço dos judeus ashkenazim, povo hebreu originário do Centro e Leste Europeu, Santa Maria abrigou a primeira colônia judaica brasileira em 1904 na Fazenda Philippson, em território hoje pertencente ao município de Itaara.

A sinagoga só começou a ser construída 15 anos depois, devido aos esforços da comunidade judaica na cidade, mas com a migração das famílias para outras cidades e centros maiores, o edifício religioso foi se degradando. Só foi reformado a partir de 1995, sendo reinaugurado em 1997.

Recebeu o nome de Itzhak Rabin, em homenagem ao primeiro-ministro israelense, assassinado dois anos antes, e hoje integra o patrimônio histórico de Santa Maria e da história do judaísmo no Brasil.

Colégio Centenário

Fundado em 1922 para abrigar educadores missionários da Igreja Metodista norte-americana, o prédio recebeu esse nome em homenagem ao centenário da Independência do Brasil, completado naquele ano. A fachada do prédio, toda de tijolos, remete ao de colégios e universidades dos EUA.

Desde o início, a principal função foi a de promover os valores da educação metodista e wesleyana, de natureza cristã-protestante, aos moldes de outras instituições semelhantes em território brasileiro. A tradição se mantém até hoje, com a Faculdade Metodista de Santa Maria.

Localizado na esquina da Rua Dr. Tury com a Avenida Nossa Senhora das Dores, o colégio quase centenário tem entre seus alunos famosos o jornalista Marcelo Canellas e os atores Carmo Dalla Vecchia e Bianca Castanho.